sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Plástico que engasga o corpo e a alma.

Memória
Quem foi criança nos anos de 1960 – 1970 teve a sua coleção de vidrinhos, caixinhas e latinhas, tudo embalagens reaproveitadas. Essa coleção era feita também na cozinha e em todos os outros cômodos da casa, utilitários de primeira.
Eu tenho uma lata de bolachas que foi de meu avô paterno, defunto há mais de 60 anos. Era onde ele guardava os seus documentos e, eu hoje guardo as minhas moedas antigas. Ela está inteirinha.
Café, açúcar, doces, papéis, fotos, remédios, dinheiro, material de costura e até segredos felpudos eram bem guardados nessas vasilhas reaproveitadas que não acabavam nunca. Elas eram bonitas, tinham figuras e cores chamativas. Os vidros vinham em várias cores e formatos.
Até pouco tempo atrás, eu guardava o vidrinho bonito de leite de colônia, que gosto de usar, para onde transferia o conteúdo do que vem no plástico. Também tinha o vidro de sal de frutas.
Tudo era feito para agradar aos olhos e para durar, inclusive o papel.

Hoje
Choveu torrencialmente e o riacho que faz a divisa de nosso terreno recebeu uma “carrada” de lixo do vizinho. Lixo homogêneo, composto só por um elemento, o plástico. Vasilhame de plástico, saquinhos de plástico, garrafas pet, plástico, plástico. Algo enlouquecedor!
Esse é o nome de nossa época apressada, feia e “descartante”: plástico! Tudo é feito para ser jogado fora, (até gente)... não para ser útil e enfeite. A única durabilidade é a do lixo, não a do objeto.
Tentando desafogar o riacho do plástico que o engasgava, senti uma dor no peito, uma saudade de outra época mais naturalmente estética e ingênua, sobretudo, menos descartável.
Quero escrever para algumas empresas sugerindo que voltem a utilizar o vidro, o metal, o pano e o papel, principalmente embalagens recicláveis e reaproveitáveis.
O que acham disso?
Talvez pudéssemos começar um movimento pela volta desses materiais duráveis e ecologicamente mais equilibrados.
Onaldo Alves Pereira