quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Luz morena

Cega vai a humanidade pelo brilho das luzes ofuscantes. O conhecimento é farol tremendo. A fé um incêndio. O poder atômico uma claridade estupenda.
Bilha o sol e a terra vomita o seu pensamento, em lavas incandescentes.
Quero algo mais ameno. Uma luz morena. Uma chama de lamparina que, dançando com a brisa, expressa aconchego e paz.
Chega de néons. Basta de revelações finais, relâmpagos e raios.
Meus olhos cansados pedem luz quebrada, fogo domesticado e amigo das horas vagas.
Traga a luz morena, aquela que não basta, que pede outra mais e o mundo verá a sua verdade, o miúdo de sua alma e, manso, relaxará à sombra de um entardecer prolongado.
Afinal, que é o entardecer senão o sol convencido de que melhor bem faz ao mundo amolecendo seu brilho, amaciando seu calor em belo crepúsculo; lugar do amor, morena luz do coração!
Onaldo Alves Pereira