terça-feira, 27 de janeiro de 2009

A “paz” da pomba da paz

A “paz” da pomba da paz

Fui pomba branca eu sei
O que sofre a “pomba da paz”
Caçada, no cativeiro, na gaiola
Transportada com sede e fome
E, em susto permanente

Em meio à multidão, apavorada
Sou solta em lugar estranho
Ensurdecida pelos gritos e aplausos
Dos que querem só a paz

Nos estádios de futebol tem os fogos
Pipocando e soltando faíscas
Queimam as minhas asas, estressam
Os que só anseiam pela paz

Branca! Outra cor não serve
O preto da pena de outra pomba
É do mal e, soltá-la não pode
Sentem fundo, os da paz

Essa paz eu não quero, estragando
a minha paz, a que só existe
do meu jeito, cada um no seu lugar
sem ter que inventar uma outra paz.

Onaldo Alves Pereira