quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Espiritualidade pé no chão

A espiritualidade pé no chão, empoeirada de estradas mis, com feridas, tez morena e voz rouca é a que melhor nos ajuda.
A sua luz não ofusca, é calma e romântica como a de uma vela solitária.
Nada exige. Oferece tudo.
Não aprecia privações, jejuns ou penitências.
Gosta de fartura e é amiga da carne sensual e saliente.
Fala em prosa e verso.
Dedilha violas antigas e toca em bandas pops.
Descrê sem culpa.
Busca o avesso das coisas.
Não topa fazer revoluções e evita os extremos.
Curiosa, pergunta muito, responde pouco.
Nem a Deus chama de senhor.
Retira dos joelhos os adoradores e lhes diz que a ninguém adorem.
Dispensa as barganhas, os louvores e os milagres.
Sem mestres, avatares, sacerdotes, profetas ou messias vê em cada ser a obra em andamento do Artista.
Animais humanos ou não humanos, minerais, plantas e espíritos são tidos por ela como iguais nas Mãos Preciosas.
Essa espiritualidade chã limpa os nossos olhos para nos enxergarmos mundo: bondade em construção.
Ela nos descobre no ventre da Comunidade Divina, mundo-feto a ser parido no Dia do Sorriso de Deus.
O cultivo dessa espiritualidade devolve-nos a nós mesmos, ao mundo e a Deus!
Onaldo Alves Pereira