quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

O mundo vai bem e melhorando!


Aparentemente o mundo encontra-se conturbado por violências sem tamanho. Guerras, conflitos, assaltos, repressão, fome, abuso de substâncias e preconceitos fazem as manchetes dos meios de comunicação. Está à beira de um apocalipse digno dos profetas enlouquecidos. Carecemos medidas mais drásticas, discursam os políticos. Sem remédio; concluem os céticos.
Milhões e milhões de pessoas, contudo, continuam amando, constituindo famílias e cultivando amizades. A dedicação de milhares alivia voluntariamente a dor dos desvalidos. Na absoluta maioria das cidades, as pessoas podem andar sem assombro pelas ruas. Em casos de tragédia natural o socorro não tarda e a solidariedade é a regra. Desentendimentos são resolvidos pacificamente pelo diálogo. Uma nova consciência ecológica reorganiza o mundo. Mais amor, ternura e companheirismo do que se imagina cimentam as relações humanas. As diferenças são respeitadas e o seu espaço garantido por convenções sociais. A ciência avança e traz conforto e cura para a humanidade. A dinâmica e os frutos dessa realidade, que é, de fato, dominante, não ganham as manchetes porque são o comum. Dar-lhes enfoque seria como noticiar em primeira página o nascer e o pôr do sol. Fazer de esse fluir natural das coisas o assunto preferencial seria como dizer como novidade que: o verde é verde, a água molha e as estações se seguem. O óbvio da vida é tido como dado pacífico e tende a passar despercebido, a não ser quando colocado contra um contraste. O mais trágico de tudo é que a religião capitaliza nas exceções e decreta, por força delas, o fim do mundo. Indo mais longe, declara corrompido o ser humano, perdido sem apelo, a não ser que - e lá vem o golpe! - busquem o socorro que oferecem. Socorro que tem um preço altíssimo, a própria dignidade humana é golpeada por uma exigência de entrega e de submissão irrestritas. Estabelece-se, então, uma nova ordem de senhor e servos. Os últimos, mantidos sob suspense “no temor de Deus”, até que passem desta para melhor, sempre obedientes às regras da religião. Isso rouba dos seres a possibilidade de serem deveras feliz.
A boa espiritualidade, pelo contrário, proclama a bondade de Deus e da Vida. Afirma a capacidade inata e poderosa dos seres de ser o melhor e, de progredirem nisso com alegria. Ela diz que a semente que brota e cresce numa árvore frutífera não é inferior nem menos perfeita que a árvore, antes, a contém inteira em si. Da mesma forma, o ser cresce, não a partir de uma imperfeição, mas da perfeição que há em quem o idealizou e criou: Deus. Os que falham, as sementes que não brotam, é porque não estão colocados em ambiente propício. A boa espiritualidade, a arte e a educação são criadoras desse ambiente propício, lugar onde o melhor das pessoas e do mundo encontra estímulo e alimento para se manifestar e progredir. Nisso Deus faz-se inteiro, presente e atuante no mundo, na afirmação do Bem e na ação conseqüente.
Onaldo Alves Pereira