terça-feira, 23 de dezembro de 2008

O alto


Na geografia de muitas crenças o alto é o lugar de Deus e o baixo o lugar do diabo. Olha-se para cima, para lá sobem as orações. Pensamentos altos, idéias elevadas, comportamento acima do geral, tudo isso é exaltado. Diante do altar, que coloca além do alcance dos fiéis a imagem do santo, ou o pregador no púlpito sobre a congregação, dobram-se os joelhos, curvam-se as cabeças e fecham-se os olhos.
Lá no alto está tanto o templo como o palácio, a cidade, como o mosteiro, a ermida como a guarita policial, a mansão do rico e o cruzeiro, o Cristo Redentor no corcovado e a Capital Federal no Planalto Central. Lá em cima, o trono, seja de Deus ou do poder político/econômico. Esse lugar, do que tudo vê e por todos é visto define o centro da geografia espiritual tradicional. De olhos fechados para não cobiçar o ouro do trono ou a comida dos banquetes, dobra-se os joelhos para dizer que até a altura que lhe é normal ainda ofende o poder.
Diante disso a Boa Consciência diz que Deus está onde estão seus seres e neles, que tanto em baixo como em cima a Presença é a mesma. Ela deseja destronar os poderes, porque são ofensivos à realidade da plena e absoluta Presença de Deus na Vida que é a vida dos vermes como o é, na mesma escala e valor, a dos anjos. Nisso a nossa dignidade biocomunitária!
Onaldo Alves Pereira