quarta-feira, 18 de março de 2009

Tristeza

Reconhecemos que no mundo tem muita tristeza. Sentimos em nós mesmos o peso da tristeza.
Como não entristecer-se com as situações trágicas que a ignorância cria no mundo? A fome, a destruição do meio ambiente, a violência, a corrupção etc., tudo como uma mancha feia num tecido lindo, descombinando e chocando.
Há que se proibir a tristeza, tornar vergonhoso o choro, indigno o lamento? Claro que não! A tristeza ajuda a ver o contraste, a perceber que a ignorância não combina com o que todas as pessoas entendem como a verdade do mundo.
E aquelas contradições que estão além das explicações fáceis, as doenças, as separações e as fatalidades? Não nos resta a não ser uma profunda tristeza diante desses fatos.
Deus faz-nos com a capacidade de nos entristecermos, cria-nos seres que choram, da mesma forma que também rimos, alegramo-nos e temos prazer.
Choramos e rimos no colo de Deus. A tristeza que nos abate também nos aconchega nos braços de Deus. A certeza do amor de Deus dá-nos a licença de sermos plenamente humanos, inclusive em nossa tristeza.
Não fique triste! Não chore! Ouvimos isso como ordem, não se permite a expressão da dor como se isso fosse vergonhoso. Pelo contrário, a tristeza é uma expressão genuína e bela da alma humana.
Grandes obras de arte e muitas músicas inspiraram-se na tristeza. O drama e a dor têm ajudado o ser humano a desenvolver a sua sensibilidade e aprofundado a sua busca de Deus.
É importante respeitar a tristeza dos outros seres mesmo sem, às vezes, entender seus motivos. Nesses momentos ouvir, ser ombro amigo e ajudar na possível solução da dificuldade é o nosso papel.
A tristeza espiritual, que vem da solidão, que tem raízes profundas e misteriosas é parte da vida de todas as pessoas. Aceitá-la como experiência humana comum já ajuda muito.
Curtir, contudo, a tristeza, como estado permanente de espírito é uma doença e carece de tratamento. Precisamos, também nisso, buscar um equilíbrio.
Finda essa nossa jornada, quando tivermos aprendido a lição e avançado para outro nível, a tristeza será apenas lembrança. Que essa lembrança seja preservada em arte, música e poesia.
Aceitar a tristeza significa também ser capaz de superá-la. Quem melhor aceita uma situação, melhor pode resolvê-la. Esperemos que quem chora, ponha pra fora todas as lágrimas e, então, proponhamos uma alegria como o próximo passo. Nisso Deus sorri!
Onaldo Alves Pereira