quinta-feira, 19 de março de 2009

Peregrinava em busca de Deus

Por muitos anos, enquanto peregrinava por muitas religiões e filosofias, definia esse processo como uma busca de Deus. Queria descobrir onde Deus pudesse estar mais à vista, menos coberto com as roupagens que lhe emprestamos com nossas crenças. Sempre cheguei de volta a um mesmo endereço, ao ser que vive, a mim mesmo, ao mundo. Desconcertado com essa conclusão, partia de novo, apressadamente, atrás de novas fórmulas, embora desconfiasse, cada vez mais, que eram apenas embalagens que, ao invés de mostrar o conteúdo o escondiam com véus, arcas, doutrinas, dogmas, mistérios etc. A estratégia desse jogo parece ser a da criação de “donos de Deus” ou, pelo menos, de “suas roupas”, de “suas moradias”. Mestres, profetas, gurus, salvadores, avatares: todos deliram, querendo convencer-nos de que precisamos de uma ponte de nós para nós mesmos. Muito poder é construído em cima dessa ilusão.
Deus, fazendo-nos, é a Vida de nossa vida. Ficasse Deus ausente de nosso ser, um milionésimo de segundo que fosse, nos desintegraríamos e nem lembrança nossa restaria. Deus, não importa o nome, a falta de nome ou a descrença, o número ou a veste que lhe emprestamos, é um fato em nós, a própria Vida.
Na minha peregrinação cheguei onde sempre estive. Compreendi que mais do que encontro, comunhão ou coisa que o valha, sou em Deus e, nisso descanso.
Onaldo Alves Pereira

Quão gracioso o caminho que se desdobra em mil para não deixar ninguém de fora!