quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Simplicidade


Simplicidade, em um mundo complexo e de múltiplas ofertas e demandas, não se consegue facilmente. Mesmo assim, simplificar a vida pode significar viver com sentido. Simplificar, contudo, não precisa ser uma ruptura com as demandas e ofertas. Não é necessário abandonar a cidade (mas pode também ser isso) e nem tornar-se monge ou monja. Aliás, as demandas e ofertas podem ser nossas aliadas e auxiliares na simplificação do dia-a-dia. A alta tecnologia, quando usada com equilíbrio, ajuda. Aproveitar a diversidade de comida em oferta, para saboreá-la (uma de cada vez) lentamente, é ótimo. Para isso, é bom priorizar qualidade ao invés de quantidade. Encarar a multiplicidade de coisas, eventos e oportunidades à nossa disposição como o que de fato são: ofertas e não obrigações. Desenvolver o poder de deixar para depois, conhecer o próprio limite de aproveitamento do que está em suas mãos. Saber que na partilha a conversa e o sentimento de se estar junto com o outro são mais importantes do que o material partilhado. A solidão algumas vezes aguça a necessidade de consumo e eleva o grau de descontentamento que, por sua vez, tenta-se remediar com mais consumo. Noutras, é bom e salutar estar-se só e não existe nenhum defeito nisso. Aliás, a melhor companhia pode ser a própria. Ter que se enturmar só descompensa as coisas ainda mais. Simplificar também pode incluir uma ênfase maior na intensidade do que no número de amizades.
Além de tudo, não se sentir pressionado, nem por discursos internos nem externos, que exigem isso ou aquilo. Por exemplo: ter que (ser obrigado) simplificar é tão ruim e, geralmente produz os mesmos resultados, que ter que consumir.
Onaldo Alves Pereira