segunda-feira, 20 de abril de 2009

E se

E se a voz dos profetas nada mais é que a voz de atores?
E se os grandes dramas míticos da humanidade nada mais são que peças de um bom teatro?
E se os avataras, papéis desempenhados por bons artistas?
E se as visões grandiosas dos santos, delírios de mentes apaixonadas?
E as promessas, arroubos de corações generosos?
Perderemos a fé? Desacreditaremos do Caminho? Renegaremos a revelação? Claro que não, pelo contrário, robustecida fica a nossa alegria por ser o ser humano tão ligado ao Divino que, fazendo de conta, fala a Palavra de Deus, revela o Seu rosto e realiza todos os sonhos sagrados! Que, de fingir, faz de conta que é o que deveras é e sempre foi. Esse fingir, de fato desfinge, pois, pretender não Ser é que seria fingir.
O mundo todo está encoberto por uma capa, por um fingimento doído e, dele derivam todas as dores, todos os sofreres. É de se fazer de conta que não somos em Deus e, de Deus, face e coração, que perdemos o rumo.
Olhamos os rostos uns dos outros através de uma poeira, às vezes fina e, então, chegamos a quase adivinhar a Verdade que é neles, noutras vezes, é tão densa a poeira que mal conseguimos reconhecer naquela pessoa um pouco que seja da Verdade e, aí, desatam-se os nós que nos seguram e acontecem as grandes tragédias.
O Espírito de Deus sopra essa poeira e restaura a Verdade, mostra o rosto de Deus nos rostos e, neles, a Alegria da Presença.
Onaldo Alves Pereira