segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Você não é bolo de caixinha

Superabundam as receitas do bem viver. Como lidar com os filhos e filhas na infância e na adolescência. Como namorar, casar e separar. Como envelhecer e, até morrer.
Quase todas as receitas são prolixas nas recomendações e dogmas. Sobram os: faz isso, não faz aquilo.
Sujeitar-se a um desses métodos significa, muitas vezes, sobrecarregar-se ainda mais de expectativas, deveres e etc.
Fiz tudo certo e não obtive o resultado!
Não consegui obedecer as regras e deu no que deu!
O problema deve ser comigo.
Ele/a não tem mesmo jeito.
Até o mundo espiritual está no mercado com essas receitas: novenas, correntes, votos, etc.
Nunca o problema do não funcionamento da receita está nela, mas no pobre coitado que falhou em algum ponto.
Livros de auto-ajuda vendem uma felicidade e prosperidade sob medida. Seguidos os conselhos, você será e fará feliz!
Bobagem tudo isso!
Alguns conselhos até que podem ajudar, mas qualquer receita infalível só piora tudo. Você não é bolo de caixinha e olha que até esses, não obstante seguirem-se ao pé da letra as instruções, podem desandar.
Simplificar e naturalizar as expectativas, trazer para o chão os conceitos de felicidade e de bem-estar, contextualizar o dia-a-dia nos seus limites, sem anular os sonhos e nem deixar-se dopar por eles, isso sim, ajuda.
Mais feliz é quem melhor convive até com a própria infelicidade e é capaz de surpreender-se, grato, com as novidades que sinalizam novas possibilidades.
Onaldo Alves Pereira