terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Puxar para baixo

O filho traz para o pai ver a sua primeira escrita. Anseia por aprovação. O pai pega a folha de papel e a encara com olhos vazios, embora ansiosos. Diz, então: Filho está mal a sua letra e cometeu vários erros. Tem que se esforçar mais, caprichar! O menino murcha interiormente e fica todo caído. Puxa as primeiras letras, escritas de modo especial para mostrar ao pai e agora, esse fracasso! Alguns anos depois, descobre que o pai é analfabeto! A segunda queda é pior que a primeira.
Confrontada, a mãe que sabia de tudo, argumentou que o pai precisava de afirmar-se como pai. Não podia revelar-se “menos” que o filho. Tinha que puxar para baixo para empurrar para frente! Nisso, tanto se afirmava como “estimulava” o filho!
Essa é a cara da religião patriarcal!
Onaldo Alves Pereira