terça-feira, 5 de maio de 2009

Regalo do bom

Regalo do bom é saber-se permeável, aberto a novidades como também a coisas velhas. Ser capaz de emocionar-se, de chorar solto, sem economia de lágrimas. Cair no riso escancarado, deixar-se levar na gargalhada. Enternecer-se com os detalhes de uma fachada e perder a hora por conta disso. Apaixonar-se pelo rostinho inocente de um recém-nascido, de uma criança, um gatinho, um bezerro... Cheirar, com mais que o nariz, a flor, o frasco de perfume aberto, a batata assando, o cangote tesudo. Morder a fruta percebendo a sua textura, sorver seu suco a pequenos goles, parar para sentir cada detalhe.
Regalo melhor ainda é o aquietar-se interiormente, deixar-se ir, soltar as pontas e perder as bordas, esparramar-se para além de si e descobrir-se em tudo.
O mais, contudo, é não precisar dizer nada, não ter que explicar, ou ser. Amar, quando e do tanto que der. Viver!
Onaldo Alves Pereira