sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Repressão

Ao contrário do que acontece, o serviço de repressão aos desatinos de alguns deveria ser objeto de vergonha e dor. Algo semelhante ao pudor e recato usual a quando vamos ao banheiro defecar seria natural também nesse caso. Enquanto defecar é comum e bom sinal do funcionamento do organismo, a repressão policial, por exemplo, denuncia o fracasso de nossas instituições na formação e proteção da pessoa.
Qualquer ato repressivo é o último e desesperado recurso de uma sociedade que não deu conta de si mesma, de doutrinas que fracassaram e de uma humanidade que não evoluiu ainda o suficiente. O policial, ao prender alguém, deveria pedir a essa pessoa perdão pelo que faz. O juiz que condena, deveria também punir a sua própria instituição. Esse serviço, pelo bem do mundo, deve ter como objetivo maior o seu próprio fim. Ele deveria ser, talvez, a única coisa considerada “pornográfica” na sociedade.
Por isso mesmo, por ser tão desnatural e vergonhoso, esse serviço só deveria ser prestado por profissionais altamente qualificados e com equilíbrio emocional e muita paixão pelo mundo.
Onaldo Alves Pereira