quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Silêncio iluminado
Cale a boca e perceberá que o mundo chega mais, com mais tranqüilidade.
Diga menos e será mais ouvido. Economize as palavras e dê lugar aos sentimentos e aos gestos.
A fala sem controle enerva a alma, estraga os relacionamentos e torna superficial a espiritualidade.
Tudo muito explicado aborrece.
Longos reclames perdem força.
Discursos que não acabam não alcançam os ouvidos.
Cale e observe.
Ore sem falar.
Ame com poucas palavras.
Desabafe com economia.
Aí,quando falar, o fará com conteúdo e alcançará ouvidos atentos.
A palavra, de tão especial, é de ouro quando rara, de prata quando cara e de bronze quando vaza.
Diga tudo, mas recorra a um repertório mais amplo, que inclua ouvir, refletir, fazer, tocar, sentir e estar por inteiro.
Às vezes falamos demais para nos afastarmos. O barulho cria escudos de proteção. Tanto que acabamos tendo que dizer algo para estarmos com alguém e marcarmos nosso espaço.
-Fale, diga algo – exige quem lidera uma reunião, como se só assim fosse validada aquela presença.
Reduzir alguém ou a si mesmo à sua fala é uma forma de limitar-se ou ao outro ao barulho que consegue produzir.
Cale a boca e diga mais que palavras, o que é mais que apenas uma fala.
Onaldo Alves Pereira

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Jardim secreto
Cada um tem o seu jardim secreto, o lugar onde é diferente de todos e cultiva a sua diferença.
Esse lugar é inviolável. Ninguém pode, sob hipótese alguma, forçar entrada nesse espaço.
Tentar violar o jardim secreto de alguém, seja lá quem for, é tornar-se “demônio” e retirar de si mesmo a dignidade mais básica.
Nesse jardim secreto, cada um alimenta e fortalece a sua dignidade, sendo inteiro e sagrado no mais amplo sentido da palavra.

Onaldo Alves Pereira
Chegada total

Baratear para comprar ou explorar, eis uma velha e sempre nova tática.
Esse baratear instalou uma indústria transespacial e transecular de arapucas onde se quer pegar possíveis servos, ovelhas, seguidores etc.
Uma dessas arapucas é a idéia da transitoriedade dessa vida – ou, como prefiro, manifestação da vida. Uma vez transitória essa vida fica barata e pode ser usada conforme melhor convir aos mestres e senhores.
Não, a vida agora é tudo o que temos e não está de passagem! Ela é! Deus a faz perfeita em seus paradoxos, agora. Ela não é apenas o caminho, é a chegada, o destino.
Senão, seremos como ratinhos de laboratório na roda (não é a toa que a roda é o símbolo de tantas religiões) sempre indo sem chegar, prisioneiros do nada, escravos do ir.
Esse momento é uma chegada e teremos bilhões de outras, todas completas. Eis a plenitude da vida.

Onaldo Alves Pereira


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segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Beijo
É enxergar Deus e coloco entre os lábios um drops de anis, preparo-me para o beijo, dou sabor aos lábios meus. Essa é a minha oração, o colocar na boca um doce, preparar-me para o Mais, o Beijo que Deus me dá!

Onaldo Alves Pereira
Demônios
Existissem demônios teríamos de estar profundamente compadecidos deles.

Onaldo A. Pereira

domingo, 4 de janeiro de 2009



- Tá, dizia a mulher, e emendava a prosa com tanto verbo quanto lhe fornecesse o miolo. Falava que nem a boca, havendo ouvinte ou não, era dela a palavra, esse comichão misterioso. Se faltava assunto repetia antigos, que arquivos tinha de montão. Tá, era a tesoura com que cortava o dizer de qualquer um. Nada lhe interessava mais que a própria opinião. Se não sabia algo verbalizava os próprios questionamentos ao infinito. Perguntava, mas não esperava nenhuma resposta. Ela odiava televisão porque não dava espaço à sua conversa. Novela e filme até que ia, ela enfiava na trama o seu papel. Dizia o que os protagonistas deviam ter dito, feito ou, explicava a quem estivesse por perto o que acontecia na tela.
Nunca atinava, a Dona, que alguém pudesse entender qualquer cena sem a sua demão. Achava-se generosa por estar disposta a esclarecer os motivos ocultos do galã, os sentimentos da mocinha e os possíveis desdobramentos do enredo. Com música era a mesma coisa, explicava a letra, contava a vida de quem cantava e fazia a sua crítica, nem sempre favorável. A tudo podia acrescentar seus reparos.
Ir ao médico era outro acontecimento. Gostava dos que faziam perguntas, curtas, óbvio. Detestava os que queriam explicar a situação. Com um “tá” enfático ela cortava o doutor e partia para expor o seu diagnóstico, sempre mais prolixo e detalhado.
Converteu-se a crente, mas logo desviou-se do aprisco. Não dava conta de ouvir sermão sem dizer nada, sem corrigir o pobre pastor. Fazia isso baixinho para quem estivesse por perto. Acabou exorcizada um bom punhado de vezes. Só podia ser demônio, aquele descontrole.
Resolveu assumir seus exus e foi para um terreiro. Lá também não deu certo, levou pito dos dirigentes, colocaram-lhe um ebó e ela descrençou. Voltou ao catolicismo, passou a freqüentar uma paróquia grande onde era comum um zunzunzum durante a missa e lá fez-se em casa. Além disso, descobriu a confissão, maravilhoso sacramento e, doravante, esmerou-se com empenho a pecar e quando não tinha estoque suficiente de pecado, inventava e, depois, confessava que inventara, repetindo detalhadamente cada invenção e o remorso que sentia por ter ficcionado em tão séria situação. Não elegeu um confessor, preferia ouvidos virgens e capazes de surpreender-se diante de sua capacidade de falar.
Só lhe assustava uma coisa, que a morte lhe tirasse a voz. Ainda bem que não faltavam médiuns!

Onaldo Alves Pereira

sábado, 3 de janeiro de 2009

Orando de dentro

Orando de dentro
Quando percebemos a realidade da criação (em andamento) com Quem cria, entendemos que, de fato, oramos em Deus não a Deus. É de dentro, fazendo vibrar as Suas entranhas, bulindo com o que Deus é em si, que oramos!
Onaldo A. Pereira

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Escondidas bem

Escondidas bem
A minha mãe usava reunir parentas e amigas para cardar algodão. Vinha também a gurizada. Ganhei uma dúzia de bolinhas de gude. Com a chegada dos primos escondi-as num dos dois cestos de algodão já cardados por minha mãe. Salvei assim as bolinhas.
No fim do dia, quando voltei para resgatar as bilocas dei de cara com mais de dez cestos de algodão cardado. Não poderia caçar as bilocas guardadas em todos eles sem graves conseqüências para a minha pessoa. Mais perdidas ficaram as bolinhas que se meus primos tivessem levado algumas.

Onaldo alves Pereira

Dor

Dor
- Não há de ser nada, não!
- Mas dói doído, esse corte...
- Não seja mole, menina, que dor ajuda a crescer.
- Mãe, a doer mais minha ferida, a sua palavra me feriu mais.
- Disse o que não falei menina, não tome a sério, releve.
- Mãe, por que a dor?
- Para mostrar a ferida, avisar que existe e precisa ser cuidada. Tudo no mundo tem utilidade, menina.
- Será então que não vi todas as feridas que tenho? Não cuida de mim tão bem o seu cuidado? Estarei tomando o remédio errado? Pois não me dá por avisada a dor.
- Por que alguns têm que responder a tudo, que fingir saber, que sustentar o insustentável, dentre todos mais ainda, as mães?
- Por que queremos saber tanto?
- Por que ter que saber?
- Não é a dor apenas isso, dor?
- Tecido rompido...
Onaldo Alves Pereira

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

O corpalma de cada um

O corpalma de cada um é o seu universo e parte insubstituível do Universo.
Descobrir o bem ser e o bem estar do corpalma é cuidar da alegria do mundo. No conforto de um corpalma faz-se o progresso da biocomunidade. Seja o travesseiro macio, o sapato de bom tamanho, a sombra fresca, seja a boa música, a conversa de agrado, a vista de coisas bonitas ou o conforto do silêncio, tudo rende para mais de um.
Quando se enxerga que o corpalma é o Corpalma e isso se traduz no serviço a outros, consegue-se um crescendo de felicidade sem par.
No corpalma do outro meu ser maior e, nesse tamanho, cresce também o espaço onde ser feliz. Vasilha maior cabe mais!

Onaldo Alves Pereira

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Palha

As suas mãos cresceram por conta do trabalho duro, calejadas e modeladas para agarrar objetos resistentes e rebeldes. Elas sabiam escassamente o caminho das carícias, arranhavam quando pretendiam alisar, não acalmavam a pele do outro, assanhavam instintos, faziam querer fugir...
Escolhia uma palha longa e forte na espiga, com as unhas e as pontas dos dedos a rasgava miúdo. Arrastando a palha pelos cantos, atraía o gatinho que vinha desconfiado, armando o bote até dar a primeira patada. Depois, seguindo o movimento da palha com a cabecinha, orelhas em pé e os bigodes enormes, como antenas em prontidão, lançava-se todo à brincadeira. Eram pulos artísticos, papirotes no ar, negaceios e, fazeres de conta que havia perdido o interesse pelo brinquedo.
O barulho da palha no chão, o rebrilho dos olhos do bichano...
Os olhos dele nos meus e a palha muda de função. A cócega em meu nariz, o passeio dela pela nuca e por detrás de minha orelha, a pontinha escorregando pelos meus lábios, indo e voltando num passeio sensual. O bichano, aconchegado em meu colo, ronrona satisfeito e sou beijado pelos lábios que antes entresorriam, enquanto arteava com a palha, conquistando com a magia dela, o bichano e eu.
Onaldo Alves Pereira

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Dito

Foi-me dito que Deus sorri,
que se faz palhaço pelo nosso riso
Foi-me dito que no amplexo dos seres
Deus é sacramento bendito
Foi-me dito que de vera todas as Deusas
são Deus do mais puro amor
Foi-me dito que nos velhos casarões,
igrejas antigas e sítios do passado, Deus espera
Foi-me dito que na fome, no exílio
e na solidão, a Deusa se esconde carente
Foi-me dito que as piadas são anjos
mandados em missão graciosa
Foi-me dito que na oração a alma
se descobre seiva de Deus
Foi-me dito que o amor não reconhece sexo
cruzando as fronteiras, sempre mais amor
Foi-me dito que em todos os nomes
o Nome, em todas as religiões a Consciência
-Vá, me disse Deus, e diz isso
no Sorriso, faz isso na Vida
Gozo de puro amor.
Onaldo Alves Pereira

domingo, 28 de dezembro de 2008

Vencimentos

- No meu tempo não era assim. Não havia tanto vencimento. Hoje vence água, luz, prestação disso, conta daquilo. Dizia o cinqüentão, forte, encorpado, rígido na sua postura e ainda tesudo.
- No meu tempo - como se já estivesse fora da cronologia normal, numa outra dimensão. E, aí, desfiava, sem vontade de parar, as mudanças, os desencantos e esquisitices dessa época que não era a dele.
O vencimento das coisas contrariava mais. O estresse decorrente de se ter que manter tudo em dia é desgastante, pensa ele.
- No meu tempo, insistia, só havia sem remédio o dia de nascer e o de morrer, o plantio e a colheita. Fora isso, tudo se ajeitava.
Amado por esposa e filhos, já com neto, cachorro e gato, não se julgava bem servido e arranjara amante. Queria dela o frescor das carnes, o beijo macio e o apertadinho das partes. Recebia tudo isso, mas brochava toda vez que chegava o dia dos vencimentos. No tempo dele não brochara nunca, que não vencia nada que custasse fila, tempo e dinheiro.
Vencimentos à parte, a vida prosseguia, outros tempos, de outros jeitos.
Vencido ele, ninguém fazia fila, pagava ou se preocupava. Seria o caso, ingrato fato, de seu vencimento não caber nas normas desse tempo de outros?! Nem ser o objeto do vencimento valioso o bastante para despertar noutros a obrigação de quitar o devido?!
- No meu tempo...

Onaldo Alves Pereira

sábado, 27 de dezembro de 2008

O bem na marra

Difícil entender o porquê dos seres humanos terem aprendido a fazer o bem a si mesmos na marra. Como pode ser que regras mínimas de organização do meio que visam facilitar a vida de todos tenham que ser impostas por lei?É doentio que atos de amor próprio tenham que ser obrigados. Exemplo disso as regras de trânsito, ignoradas, não obstante os riscos e as punições.Parece ser a proliferação do vírus da crença (às vezes inconsciente) num céu e num inferno a responsável por esse terrível desarranjo da mente. Por força dessa mentalidade, vai-se para o céu por medo do inferno, entra-se pelas portas do paraíso tostado pelas chamas da danação eterna, santifica-se pelo terror do mal, encontra-se Deus fugindo do diabo... Essa dinâmica terrorista é reproduzida na vida comum da humanidade, no dia-a-dia social e na elaboração das regras e leis.Aprendeu-se milenarmente a amar por lei, inclusive a si mesmo. Temos nisso a fonte de infelicidade mais terrível.
Onaldo Alves Pereira

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Sinal de Batom

Sinal de Batom
Sinal de batom no banheiro masculino?
é o fim do mundo
é o começo do descaminho
ou seria uma marca de liberdade?

Liberdade que acaba com o mundo
que finda o caminho
destramela os endereços
e beija os lábios de nova era.

Cabe reclamar ou apagar?

Ou chamar o mundo para que veja e se acabe?

Beijou o travesti a pia,
ou limpou ali seus lábios,
ou deixou cair o batom?

Nesse dilema extremo
finda o poder de pensar
de quem manda
e, desmandado, o mundo
mudo de resposta, cala e se acaba!
Onaldo Alves Pereira

Retratos


Sob o olhar assustado
dos antepassados
deu-se o fato
o desatar dos nós
o revelar sem tato
dos gostos do mocinho.
Pendidos de retratos
velhos, desbotados
pecados abotoados
tudo empacotado
entendem
e apóiam agora
que o mocinho
goste de outro mocinho,
mas se assustam
com o susto
dos que não entendem
e, da parede,
rezam para
que o beijo seja curto.
Onaldo Alves Pereira

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

O barro


No barro, o que parece ser a sua fraqueza, a sua maciez, é o seu potencial, o seu vir a ser.
Assim também somos entregues a nós mesmos como matéria prima. Deus nos prepara e deixa no ponto para que façamos de nós o nosso desejo. Nesse fazer entram os aspectos internos e externos da fábrica que nos produz.
Às vezes, o barro endurece e tem que ser molhado e amassado de novo. Noutras, fatores alheios à vontade arranham ou quebram a obra em andamento.
Continuamos, contudo, sempre uma possibilidade para melhor, uma oportunidade para a nossa arte de querer, sonhar e trabalhar.
Deus jamais negligencia o andamento de sua encomenda e auxilia no que pode e, quando necessário, para que não desande o seu final.
Onaldo Alves Pereira

O mundo vai bem e melhorando!


Aparentemente o mundo encontra-se conturbado por violências sem tamanho. Guerras, conflitos, assaltos, repressão, fome, abuso de substâncias e preconceitos fazem as manchetes dos meios de comunicação. Está à beira de um apocalipse digno dos profetas enlouquecidos. Carecemos medidas mais drásticas, discursam os políticos. Sem remédio; concluem os céticos.
Milhões e milhões de pessoas, contudo, continuam amando, constituindo famílias e cultivando amizades. A dedicação de milhares alivia voluntariamente a dor dos desvalidos. Na absoluta maioria das cidades, as pessoas podem andar sem assombro pelas ruas. Em casos de tragédia natural o socorro não tarda e a solidariedade é a regra. Desentendimentos são resolvidos pacificamente pelo diálogo. Uma nova consciência ecológica reorganiza o mundo. Mais amor, ternura e companheirismo do que se imagina cimentam as relações humanas. As diferenças são respeitadas e o seu espaço garantido por convenções sociais. A ciência avança e traz conforto e cura para a humanidade. A dinâmica e os frutos dessa realidade, que é, de fato, dominante, não ganham as manchetes porque são o comum. Dar-lhes enfoque seria como noticiar em primeira página o nascer e o pôr do sol. Fazer de esse fluir natural das coisas o assunto preferencial seria como dizer como novidade que: o verde é verde, a água molha e as estações se seguem. O óbvio da vida é tido como dado pacífico e tende a passar despercebido, a não ser quando colocado contra um contraste. O mais trágico de tudo é que a religião capitaliza nas exceções e decreta, por força delas, o fim do mundo. Indo mais longe, declara corrompido o ser humano, perdido sem apelo, a não ser que - e lá vem o golpe! - busquem o socorro que oferecem. Socorro que tem um preço altíssimo, a própria dignidade humana é golpeada por uma exigência de entrega e de submissão irrestritas. Estabelece-se, então, uma nova ordem de senhor e servos. Os últimos, mantidos sob suspense “no temor de Deus”, até que passem desta para melhor, sempre obedientes às regras da religião. Isso rouba dos seres a possibilidade de serem deveras feliz.
A boa espiritualidade, pelo contrário, proclama a bondade de Deus e da Vida. Afirma a capacidade inata e poderosa dos seres de ser o melhor e, de progredirem nisso com alegria. Ela diz que a semente que brota e cresce numa árvore frutífera não é inferior nem menos perfeita que a árvore, antes, a contém inteira em si. Da mesma forma, o ser cresce, não a partir de uma imperfeição, mas da perfeição que há em quem o idealizou e criou: Deus. Os que falham, as sementes que não brotam, é porque não estão colocados em ambiente propício. A boa espiritualidade, a arte e a educação são criadoras desse ambiente propício, lugar onde o melhor das pessoas e do mundo encontra estímulo e alimento para se manifestar e progredir. Nisso Deus faz-se inteiro, presente e atuante no mundo, na afirmação do Bem e na ação conseqüente.
Onaldo Alves Pereira

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Boca

Boca
Essa boca só se sabe boca
pra receber seus beijos
sem beijos se perde
no comum bobo
no nada de sabores soltos
como contas sem cordão
no pouco de falas tolas
como cordão sem contas
É sua boca que faz minha boca
é seu beijo a alma dela!

Onaldo Alves Pereira